Quando o goleiro Bruno inquiriu aos repórteres qual deles ali naquela coletiva nunca havia agredido sua própia esposa, ou quando Felipe Melo na África do Sul comparou a bola Jabulani à uma Patricinha que não queria ser chutada, os heróis da falácia masculina brasileira não apenas meramente lançaram mão da assertiva que mais os aproxima da idéa de ser homem: o usufruto integral da violência calcada num certo (des)conhecimento construído a respeito da nossa vantagem, frente ao que for. Eles também assumiram a voz do grande coro dos contentes com o privilégio de genêro nos atribuído desde os áureos anos, pelas mães, sobretudo.
Um pouco de iconoclastia não faz mal a ninguém. Hoje pela manhã, ao ler A Folha Branca de São Paulo, verifiquei o ápice contido nessa desinformação geral, que eleva os homens à condição de bestas-feras. É por causa dessa vantagem estúpida frente às mulheres e a tudo, que a cidade amanhece com seus muros, postes e pontes fétidas depois de um dia de festa. Qual latrina! É por ela que crianças são todos os dias vitimizadas ou molestadas. O agente da pedofilia é quase sempre um homem! É essa pseudo-superioridade que leva mulheres a simular inferioridade. Para que o herói bem-sucedido e fraco se edifique como criatura-primeira! Direta das mãos do criador; colossal para o mundo. Síndrome de Adão! Como externar amor por uma mulher assim? Sobreposto? Lá do alto?
Luiz Bassuma (PV-BA) é o nome do deputado a repetir a ignomínia crassa do macho emburrecido pela dianteira fálica. E porque os evangélicos lideram mesmo a carnificina eleitoral acerca do aborto, o néscio verde propõe benefício mensal às mães estupradas até que a criança complete 18 anos. Entidades de defesa da mulher nomearam o projeto de bolsa-estupro. Veja bem, o deputado não concebe o estupro como algo a se evitar, pelo contrário, pareço ouvir dizê-lo: "é coisa de homem", ou seja, relaxe e goze, né? E se um filho a mais gera uma renda a mais no bolsa-escola, uma oferta generalizada de estupros pode figurar como um novo aquecimento nas economias locais. Não me surpreenderia que amanhã leia-se nos classificados de ofertas e serviços baianos: "Estupra-se a preços módicos!" Para esse dsserviço à nação, um poeminha de Oswald de Andrade para refletirmos sobre a rota equivocada pela incompreensão do rumo do vento.
Para dizerem milho, dizem mio
Para dizerem melhor, dizem mió
Para dizerem telha, dizem teia
Para dizerem telhado, dizem teiado
E lá se vão construindo telhados
Ah! Bobagem... Quem manda usar minissaia? Aliás, estão ganhando muito por protagonizar a culpa... Né?
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