Diferentemente da fábula, onde a personificação de seres mitológicos assume a cena, apólogo é esse tipo de narrativa em que objetos inanimados são caracterizados, aqui, para compor uma breve metáfora do valor do trabalho humano. É uma experiência paralela, de notória sobriedade literária, projetada sobre o cotidiano das costureiras. E é em nome dessa sobriedade que agulha, linha, alfinete e tecido aparecem humanizados, nesse alinhavo magistral do bruxo do cosme velho. Machado aqui é de novo impiedoso com qualquer possibilidade edificante de esperança ou glória no futuro. Estamos todos fadados ao desejo genuinamente humano de escravizar. Patéticas e sedentas de entronamento, agulha e linha vão orgulhosas pelo pano adiante, sem cuidar da imutabilidade de seus papéis. A que vai adiante padece exatamente pela dianteira que parece ocupar. É necessário que o subalterno permanesça galante em seu sub-posto; para que a democracia erga o brilho dos seus barões lampeões, adornados por suas baronesas a tiracolo, essas, decoradas pela melhor de todas as sedas. Essa é uma podução da MIRA AUDIOVISUAL, só pra dizer que "o desejo de se tornar senhora, faz a escravidão ser ainda mais suportável." Boa Viagem
Não era Platão quem dizia que a escravidão era necessária para que pudessem existir homens livres e pensantes? Ora, pra que lavar um prato se há alguém que o faça por mim? Liberdade ainda que tarde...
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