Sem Aldol ou Rivotril, para não corromper as demandas da palavra, a Professora Quase Deprimida já sente dores. Ai dela! Míseros restos humanos! Vai-se indo Setembro ... E com a primavera o quê? Vida nova? Pêquêdê potencializa a beleza do fim do ano a fim de contrastá-la com a angústia Branca dos dias idos ao longo dele. Devagar, pobre Sancha - diz pra si - ainda há a Santa Maiúscula e o dia das crionças em Outubro; e o das professoras e o das bruxas no mesmo mês. Ainda há os mortos e a República sofrendo de sobre-peso em Novembro, até que em Dezembro Ele reNasça de novo, pobre pleonasmo, para matá-mo-lO novamente, mesóclise crucificante a cada Páscoa!
Não, ela não é depressiva ainda não! É leitora! Amante do ser humano bem-humorado. Onde está tal criatura? Nos confins da Terra? Sim, mas não todos! Apenas quase todos lá! Refugiados dos atuais PHS (Partido dos Homens Sisudos) e do PMD (Partido das Mocinhas Debeizinhas). A outra boa parte deles são alguns dos seus alunos e alunas maravilhosas de Informática 2A, mas parece que só ela acha assim. E ainda há a Luz Rara. Há Ágata Kaiser, pedra do Sul. Há Nina, há o teatro, há Ella Fitzgerald e Summertime. Há o Grande Sertão.
Grande desapontamento lhe dá o dia-a-dia das Escolas do Brasil! O dia todo ela a dar-se, triste ênclise! Dar-se a quê?
Informa-lhes a senhora superiora em educação que: os inspetores do Ministério da Educação e da Cultura, em sua inspeção já adiada, não virão ao seu Centro de Ensino Local (CEL) para averiguar o tipo de aula ministrada. "Eles não querem saber se vocês são bons professores ou não. Eles querem saber quantos mestres, doutores e pós-doutores há lotados na instituição", diz. Afinal, o que quer o MEC? Ai dela, míseros restos! Ai dela, que tem tudo a ver com o que pesquisa. Ai dela! É do cabelo crespo e subalterna; amarronzada que não se emenda, "não te arranjas, menina das laranjas!?" Parece que estamos a repetir Coimbra - diz pra si. Pêquêdê perguntou outro dia na loja de animais, mais conhecida como pet shop, à senhora proprietária de sotaque estranho, se essa era portuguesa. "De Coimbra", disse a velha felicíssima. "Ah, de cuja universidade voltavam deputados os rebentos da elite escravagista brasileira no século 19?" - inquiriu cínica. "Aí não sei, minha filha!" - radargüiu com a mão esquerda indiscutivelmente branca sobre o pacote de Pedigree - "esqueci a história. Mais alguma coisa?" Claro que não, claro que não havia mais nada. Mas porque aquela senhora existe, e porque quase todo o resto do mundo é mesmo desmemoriado, Pêquêdê é professora e precisa se lembrar, como exaspera o filho ba biba-nazi em Beleza Americana - "(...) and then I remember".
Grande desapontamento lhe dá o dia-a-dia das Escolas do Brasil! O dia todo ela a dar-se, triste ênclise! Dar-se a quê?
Informa-lhes a senhora superiora em educação que: os inspetores do Ministério da Educação e da Cultura, em sua inspeção já adiada, não virão ao seu Centro de Ensino Local (CEL) para averiguar o tipo de aula ministrada. "Eles não querem saber se vocês são bons professores ou não. Eles querem saber quantos mestres, doutores e pós-doutores há lotados na instituição", diz. Afinal, o que quer o MEC? Ai dela, míseros restos! Ai dela, que tem tudo a ver com o que pesquisa. Ai dela! É do cabelo crespo e subalterna; amarronzada que não se emenda, "não te arranjas, menina das laranjas!?" Parece que estamos a repetir Coimbra - diz pra si. Pêquêdê perguntou outro dia na loja de animais, mais conhecida como pet shop, à senhora proprietária de sotaque estranho, se essa era portuguesa. "De Coimbra", disse a velha felicíssima. "Ah, de cuja universidade voltavam deputados os rebentos da elite escravagista brasileira no século 19?" - inquiriu cínica. "Aí não sei, minha filha!" - radargüiu com a mão esquerda indiscutivelmente branca sobre o pacote de Pedigree - "esqueci a história. Mais alguma coisa?" Claro que não, claro que não havia mais nada. Mas porque aquela senhora existe, e porque quase todo o resto do mundo é mesmo desmemoriado, Pêquêdê é professora e precisa se lembrar, como exaspera o filho ba biba-nazi em Beleza Americana - "(...) and then I remember".
Sofre muito ao constatar a forte possibilidade de estar falando à futuros cadáveres. Num mundo apropriadíssimo aos homens brancos, ela se dirije e leciona orgânica principalmente para eles. Como um vírus ativo e operante! Há mulheres também, mas a maioria está a pensar como homens. A ocupar cargos tradicionalmente ocupados por homens, só pra cumprir a cota de correctude política com o gênero defasado.com. Eles continuam lá, na gestão 2000 e qualquer coisa, arfejantes, estriônicos, de garrucha na cintura, de capangas, de jagunços, de troncos à espera de chibatas, açoites e máscaras de folhas-de-flandres. Com suas calças compridas, seu falo pedestalizado no podium. Só que sangram uma vez por mês! E ainda fingem fragilidade; só pra ver o herói da glande flácida sobre ela crer que o seu amor rijo se estende além da medicação! A aglutinação da palavra mulher em inglês nos leva a um homem de útero: womb + man = woman. Forte, né?
As estatísticas não mentem. A realidade aprova uma das poucas verdades ainda lida nos jornais. Mata-se muito garoto entre os 15 e os 24 anos. Tá bom, ele é quase sempre negro, pobre, periférico, sabe-se! Mas não apenas. O que acontece? Pêquêdê observa esses garotos logo ávidos para se livrarem da doçura da infância, muito antes da primeira pelagem púbica. Também os brancos e os d'outros matizes. Garotos! O papel de gênero sobre os homens é muito pesado! Não querer reprimir pode levá-lo a ser reprimido. Motor catalisador das verdades masculinas: Mãe, mulher. Antídoto: Possivelmente as mesmas!
Qual zebras desorientadas, sem qualquer exercício prático da sexualidade afetiva, a Professora Quase Deprimida se estarrece, consigo e com todos à volta, ainda tão inaptos a amadurecer em vida. Dos partidos candidatos aos altos postos da democracia no país do sol, até o pobre professorzinho doutor em qualquer latrina, Eles todos parecem assistir estáticos à sua própia incapacidade de identificar as causas tão óbvias do seu mal-estar. A fim de provar o quão machos, machões e machistas eles são, vê-se garotos tão saudáveis, mas envoltos num processo constante de subjugação do outro. Um vocativo segregante daqui, um rompimento com a ética dali e zás: sou homem. A lei burlada ao longo do dia, mais um palavrão, uma cusparada, uma coçadinha a mais, um tapa em vez de um toque, a força somatizada, o suicídio por não saber chorar, por fraquejar, na prova de física, na hora H e zás, sou homem! Um risinho pelo canto, um sarcasmo mais apurado e disfarçado. "Não, eu não" - afirma o pederastinha diante da moça pedagoga. "Eu sô bacana" - chora convulsivo, o curralista torpe! "Cê intregô o trabái, gordo?" - pergunta o cristão ao colega com disfunção na glândula tireóide. "Não, viadim!"- responde obeso.
Tudo bem, né, alguém diria. Tudo bem, né! Garotos são assim. Não. Eles não são. E nem querem ser. Não querem entrar armados na sala e matar 6. 7 com a professora. 8 com ele mesmo! Mas entram. E isso não é particularidade de um coreano do estado da Virginia ou da jovem Von Richthofen. Não queriam revidar com coronhadas sangrentas na nuca do primeiro da turma. Mas revidam. Nem alvejar os pais, mas alvejam. Não queriam soltar bomba no banheiro dos meninos durante o intervalo da tarde. Mas soltam. Assassinam, coronham e horrorizam também porque assim seus pais, párocos, pastores, professores e mídias os trouxeram à fase adulta. É isso que esperam deles quando renunciam ao lirismo tão caro à vida cotidiana. Quando flertam tão diariamente com as mesmices convencionais. Quando a mãe zelosa perguntou ao filho de 7 anos se ele não era homem, por não ter revidado a agressão sofrida na Escola. Quando expulsaram a professora denuncinte do delinquente. Quando a juíza Sandra di Sanctis absolveu os 5 assassinos do índio Galdino, icinerado numa pirotecnia racial, num 19 de Abril, por 5 jovens brancos de Brasília, por ter sido confundido com um mendigo. Quando reelegeram Collor, estuprador da ditadura. Quando libertaram o de Pádua.
A malandragem mesmo é outra coisa: Malandro que é malandro mesmo morre aos 80. Porque sabe que malandragem é mera astúcia pra viver. Tão bobinha a classe média. Se arma e se blinda. E se esquece que dinheiro não compra tradição. Que a cultura do mundo não está a venda em drágeas ou nas vitrines dos shopping centers. Sim, talvez eles precisem todos de um outro plebiscito de armas. Dessa vez propondo a venda de fuzis AR-15 no Shopping Popular. Pelo menos saberão quantos saíram, porque eles vão sair, ou de lá, ou do outro mercado. O Negro. E aí talvez Eles entendam Nietzsche e aquele homem que irrompeu nos mercados gritando que haviam matado Deus. O narrador pergunta ao final quem O havia assassinado, e estarrecido constata o leitor: "fomos nós." "E acaso não serão as Igrejas, os túmulos e os mausoléus do Senhor?" Crucificando-lhe a cada Páscoa. E acaso não serão Elas, as instituições democráticas parlatórias, as grandes deflagadores da falta de educação? Ai de todas Elas!
As estatísticas não mentem. A realidade aprova uma das poucas verdades ainda lida nos jornais. Mata-se muito garoto entre os 15 e os 24 anos. Tá bom, ele é quase sempre negro, pobre, periférico, sabe-se! Mas não apenas. O que acontece? Pêquêdê observa esses garotos logo ávidos para se livrarem da doçura da infância, muito antes da primeira pelagem púbica. Também os brancos e os d'outros matizes. Garotos! O papel de gênero sobre os homens é muito pesado! Não querer reprimir pode levá-lo a ser reprimido. Motor catalisador das verdades masculinas: Mãe, mulher. Antídoto: Possivelmente as mesmas!
Qual zebras desorientadas, sem qualquer exercício prático da sexualidade afetiva, a Professora Quase Deprimida se estarrece, consigo e com todos à volta, ainda tão inaptos a amadurecer em vida. Dos partidos candidatos aos altos postos da democracia no país do sol, até o pobre professorzinho doutor em qualquer latrina, Eles todos parecem assistir estáticos à sua própia incapacidade de identificar as causas tão óbvias do seu mal-estar. A fim de provar o quão machos, machões e machistas eles são, vê-se garotos tão saudáveis, mas envoltos num processo constante de subjugação do outro. Um vocativo segregante daqui, um rompimento com a ética dali e zás: sou homem. A lei burlada ao longo do dia, mais um palavrão, uma cusparada, uma coçadinha a mais, um tapa em vez de um toque, a força somatizada, o suicídio por não saber chorar, por fraquejar, na prova de física, na hora H e zás, sou homem! Um risinho pelo canto, um sarcasmo mais apurado e disfarçado. "Não, eu não" - afirma o pederastinha diante da moça pedagoga. "Eu sô bacana" - chora convulsivo, o curralista torpe! "Cê intregô o trabái, gordo?" - pergunta o cristão ao colega com disfunção na glândula tireóide. "Não, viadim!"- responde obeso.
Tudo bem, né, alguém diria. Tudo bem, né! Garotos são assim. Não. Eles não são. E nem querem ser. Não querem entrar armados na sala e matar 6. 7 com a professora. 8 com ele mesmo! Mas entram. E isso não é particularidade de um coreano do estado da Virginia ou da jovem Von Richthofen. Não queriam revidar com coronhadas sangrentas na nuca do primeiro da turma. Mas revidam. Nem alvejar os pais, mas alvejam. Não queriam soltar bomba no banheiro dos meninos durante o intervalo da tarde. Mas soltam. Assassinam, coronham e horrorizam também porque assim seus pais, párocos, pastores, professores e mídias os trouxeram à fase adulta. É isso que esperam deles quando renunciam ao lirismo tão caro à vida cotidiana. Quando flertam tão diariamente com as mesmices convencionais. Quando a mãe zelosa perguntou ao filho de 7 anos se ele não era homem, por não ter revidado a agressão sofrida na Escola. Quando expulsaram a professora denuncinte do delinquente. Quando a juíza Sandra di Sanctis absolveu os 5 assassinos do índio Galdino, icinerado numa pirotecnia racial, num 19 de Abril, por 5 jovens brancos de Brasília, por ter sido confundido com um mendigo. Quando reelegeram Collor, estuprador da ditadura. Quando libertaram o de Pádua.
A malandragem mesmo é outra coisa: Malandro que é malandro mesmo morre aos 80. Porque sabe que malandragem é mera astúcia pra viver. Tão bobinha a classe média. Se arma e se blinda. E se esquece que dinheiro não compra tradição. Que a cultura do mundo não está a venda em drágeas ou nas vitrines dos shopping centers. Sim, talvez eles precisem todos de um outro plebiscito de armas. Dessa vez propondo a venda de fuzis AR-15 no Shopping Popular. Pelo menos saberão quantos saíram, porque eles vão sair, ou de lá, ou do outro mercado. O Negro. E aí talvez Eles entendam Nietzsche e aquele homem que irrompeu nos mercados gritando que haviam matado Deus. O narrador pergunta ao final quem O havia assassinado, e estarrecido constata o leitor: "fomos nós." "E acaso não serão as Igrejas, os túmulos e os mausoléus do Senhor?" Crucificando-lhe a cada Páscoa. E acaso não serão Elas, as instituições democráticas parlatórias, as grandes deflagadores da falta de educação? Ai de todas Elas!
... "Ah! brejeiro! ah! brejeiro"...
ResponderExcluirMas podemos instaurar o PLU (Partido dos Leitores Unidos)... Ou será que isso seria democrático demais pra nossa ditadura mascarada?
As vezes da vontade de dizimar o PHS e o PVR, mas tem a "democracia"
ResponderExcluirPois é Ágata, mas acho que o cúmulo da democracia seria eles perguntarem para nos alunos o que achamos das aulas, da instituição, da infraestrutura. Grande "demo-cracia" ^^.
ResponderExcluirAHAHAHAHAHA! Vós, vil mortal, credes que perguntar-vos-ão vossa opinião? Desde que ela seja equivalente à que esperam de vós... E de todos os outros, diga-se de passagem...
ResponderExcluirJá dizia o George Orwell: "Todos são iguais, mas uns mais iguais que os outros."
Né?
E nesse momento (e para o resto da vida) eu acho que (pelo menos eu) vou ser menos igual que todos esses representantes dos tão democráticos partidos mencionados.
ResponderExcluir