sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Da Importância da Falta

Hoje foi o meu último dia lecionando no CEFET. Interessante como eu ando sendo seguido por esses engenheiros. Sem querer, comecei a trabalhar com eles a 13 anos atrás. Depois com alunos de engenharia e agora com os projetinhos de. Bem frescos! Fresquíssimos! Uns mimos! Não querem isso, não querem aquilo! Frivolidades mil! Prá eles, o Brasil! E a sua grande demanda de construção de máquinas, circuitos, plataformas, paredes, e d'outras virtuosidades da inteligentsia. Me seguem ogros? Ou será eu o ser ogro a segui-los? Não mesmo! Deve ser a tal providência divina a buscar o equilíbrio das coisas, enquanto o mundo não se explode de vez. Eles se matam tanto, esses engenheiros! A maioria é composta de umas boas pencas de bestas imbecilizadíssimas. Quase nunca me suportam. E agora? Se eu for lecionar Língua Inglesa no norte do Rio? O que  se encontra por lá, além de muita água e bobinas zunindo na sua cabeça todo o dia? 15 mil engenheiros brancos e machistas ao redor! Excitante? Nem um pouco! Mas eles têm muito dinheiro e pagam bem. Pelas aulas. O resto são quinze dias por mês de um inferno nirvanesco. É que a sala de aula, mesmo que se pague muito bem, já é pra mim uma penitenciária. Com seus carcereiros, presidiários e  chefes de facção. E ainda há toda a facção, com  seus membros e faccções oponentes, nas mesmas condições. Gosto mesmo é das rebeliões, mas na última que presenciei, eles se organizavam para a pré-estréia de Harry Potter. Terrorismo perde, né? Mas o mar é uma quebra boa do gelo transcorrido na montanha. Ressabiadíssimo desse pão de queijo, e muito a fim de sentir falta dele estou. Estar a fim de sentir falta de algo é muito bom e útil para se perceber o quão relevante esse mesmo algo é! Amo queijo, mas já não sinto falta dele faz muito tempo! Pudera, tá por aí.!Quero sentir! Falta de flâmulas, de cruzes nos altos, de amar isso aqui radicalmente, de mulher olhando pro chão. Quero sentir falta dessas igrejas insuportáveis em cada rua, chamando seus pecados e desejos a rogarem em vão, quero sentir falta do ar que não sopra no mar. Quero me enfastiar da maresia, fazer fumaça num fim de praia, me deixar levar pela correnteza, só e apenas. Divagar. Quero sentir falta do sino que toca na praça, e dos estranhos que eu saúdo pelas ruas todas as manhãs desse meu curral, dessa minha vilinha. Quero sentir falta de achar que a vida é só essa coisa bestinha!

3 comentários:

  1. Acostumados a sermos "idiotizados" diariamente e tendo raros momentos de lucidez conhecemos Emerson Carvalho. Quase uma bóia salva-vidas num oceano de "frivolidades mil" (CEFET-MG).
    Na minha curta longa jornada naquele lugar não presenciei aula de inglês onde os alunos fossem com prazer até chegar 2010.
    "Puxa-saquismo" não é um adjetivo que me caiba. Se lhe digo que com suas aulas de inglês uma vez por semana fez com que uma turma enxergasse o mundo (não, Minas não é o mundo haha) e as pessoas de outra maneira, e que foi um excelente professor não é por dizer.
    Temos aulas com tantos livros ambulantes, livros bem "straights" diga-se de passagem (: , que reconhecemos quando temos um bom professor.
    Sentiremos sua falta e se por acaso a gente se formar você é nosso convidado! :)

    Anna Beatriz - Inf 2A

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  2. Brigadíssimo, querida. O prazer foi absolutamente recíproco. Como disse na semana passada, todas as quartas-feiras que eu saí de casa, eu sabia que eu teria grandes momentos de aprendizado prazeroso, principalmente com INF 2A. Obrigado por ser uma parte nobre a integrar aquele corpo! Se o público não tem talento, a melhor peça de teatro vira um lixo. Igualmente, se alunos e alunas não se doarem organicamente, não há aula, nem professor que faça vingar a cultura. Ali com vocês, eu amei estar. Grande Abraço no Coração! :)

    Emerson

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  3. Faço totalmente minhas as palavras da Anna! (E acho que posso falar por todos de INF 2A que tiveram aula com vc :D)

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